Herdeiras de Firmina

escritoras negras contemporâneas

Literatura negra

De acordo com a Lei nº 10.639/03, art. 26-A: “Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.” Contudo, mesmo com esta lei, se analisarmos os autores utilizados atualmente na grade curricular nas instituições de ensino são em sua maioria são homens e brancos. Porém quando olhamos para o passado do nosso país vemos que é mais do que necessária a implementação de literatura negra, ou seja, obras literárias que foram pensadas e escritas por pessoas negras. Essa falta de representação faz com que as pessoas não aprimorem o seu conhecimento literário, deixando de conhecer outras histórias e outras visões de mundo. E isso pode levar outras autoras que tiveram grande importância no passado ao esquecimento. Por isso, selecionamos aqui 4 autoras que são herdeiras de Maria Firmina dos Reis, uma mulher negra que teve uma grande importância para a literatura brasileira, para que você possa conhecer mais desse ramo literário tão rico e vasto.





Quem foi Maria Firmina dos Reis

Nascida em 1822, Maria Firmina dos Reis foi uma das escritoras mais importantes do séc. XIX tendo sido a primeira mulher a ter um livro publicado na América Latina. Além disso, Firmina tem uma grande importância para a literatura pois foi ela quem inaugurou o romance abolicionista no Brasil. Após seu falecimento suas obras acabaram por serem esquecidas, até que em 1962, o historiador Horácio de Almeida recuperou seus trabalhos e os pôs em evidência novamente.



Autoras negras contemporâneas

Oyinkan Braithwaite

Oyinkan Braithwaite nasceu em 1988, em Lagos, na Nigéria. Cursou Escrita Criativa e Direito na Universidade de Kingston e na de Surrey. A autora teve alguns contos publicados em antologias e também publicou trabalhos por conta própria. Um de seus livros mais conhecidos é "Minha irmã, a serial killer"(2019), que trata de duas irmãs que têm temperamentos e atitudes completamente opostos. Uma é bela e filha favorita, enquanto a outra é amargurada e prática, Korede e Ayoola. A história se baseia na relação das duas irmãs após os três últimos namorados de Ayoola aparecerem mortos e Korede acredita que a irmã tem problemas comportamentais.

"Ela não está chorando por mim (...). Está chorando pela juventude que passou, pelas oportunidades que perdeu e por suas opções limitadas. Ela não está chorando por mim, está chorando por si mesma." – Minha irmã, a serial killer (2019)



Alice Walker

Nascida em 1944, Alice Walker é uma autora e ativista norte-americana. Ela já recebeu prêmios como o Prêmio Pulitzer (1983) e o Prêmio Nacional do Livro (1984). Alice também ficou conhecida por seu livro “A cor púrpura”(1982), que conta a história de Celie, uma mulher negra, pobre e semianalfabeta. Quando era mais jovem, seu pai a abusou e a forçou a se casar com um homem que a brutalizou. O enredo se baseia em cartas que Celie escreve a uma missionária na África, irmã Nettie. O livro trata de temas muito importantes como violência contra a mulher, racismo, a precariedade de estudos que as mulheres, principalmente negras, tinham naquela época e entre outros temas. No entanto, apesar de abordar assuntos muito importantes, o livro gerou controvérsias nos Estados Unidos, já que alguns indivíduos queriam retirar a obra da grade curricular dos estudantes nas instituições de ensino. As pessoas que foram contra defendem que há poucas autoras mulheres e negras em evidência para os estudantes, e que querem tirar uma das poucas que têm.

"Não pode ser seu amigo quem exige seu silêncio ou atrapalha seu crescimento." – Em busca dos jardins das nossas mães (1983)



Carolina Maria de Jesus

Nascida em 1914 no interior de Minas Gerais, Carolina Maria de Jesus é considerada até hoje umas das escritoras negras mais importantes, não só para a literatura, mas também para a política. Ela tinha o costume de escrever diários que descrevessem seu cotidiano, até o dia em que ela conheceu o jornalista Audálio Dantas, que a incentivou a publicar seus textos. A partir disso ela ganhou bastante destaque após o lançamento de um de seus diários “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada” (1960), que é uma autobiografia, ou seja, conta a história de Carolina e a realidade que ela viveu no período em que morou em São Paulo na comunidade do Canindé, trabalhando como catadora de lixo e tendo que criar seus três filhos. Esta foi uma obra marcante na época pois deu uma visão realista de como era a vida na favela.

"O escritor pode ser comparado ao leão: ruge, mas não morde." – Quarto de Despejo(1960)



Maria da Conceição Evaristo de Brito

Nascida em 1946 em Minas Gerais é uma professora e escritora brasileira e uma grande figura para a literatura contemporânea, romancista, poeta e contista. Ela recebeu prêmios como personalidade literária do ano, pelo Prêmio Jabuti em 2019. Alguns de seus livros mais conhecidos são: Ponciá Vicêncio (2003), Becos da Memória (2006) e Olhos d'água (2014). O último trabalho citado, é um dos mais famosos da autora, ele é uma coletânea de 15 narrativas curtas que apresentam fielmente como é o dia a dia de uma pessoa negra no Brasil, mas fala principalmente das mulheres negras. Ele faz também reflexões importantes sobre o racismo e machismo.

"O importante não é ser o primeiro ou primeira, o importante é abrir caminhos." – Entrevista para o programa Roda Viva

Documentário sobre a literatura negra e feminina

Referência bibliografica

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